Transdisciplinaridade e cia

Multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade são palavras que designam relações entre as disciplinas, são formas diversas de articulações entre as diversas disciplinas.

Viriam do latim: ‘Inter’ = entre um e outro, entre dois, duplo; ‘multi’ = muitos, múltiplos, multiplicação, diversos; e ‘trans’ = transferência, transformação, trânsito.

De uma maneira muito geral, podemos dizer que:

Multidisciplinaridade – ocorreria uma justaposição entre disciplinas. Uma corrente de pesquisadores fala que seria mais uma integração de assuntos numa mesma disciplina, e que seria na pluridisciplinaridade  que ocorreria uma integração, com certa justaposição, entre disciplinas.

Interdisciplinaridade – haveria interação entre duas ou mais disciplinas. Aqui haveria uma integração teórica e prática na totalidade.[1]

Transdisciplinaridade – não só as disciplinas interagem, como formam algo comum. Seria algo inerente a um tipo de pedagogia da educação.[2]

Mas as três dizem respeito também aos profissionais que atuam com estas dinâmicas, eles necessitam estar capacitados para agirem de forma a tornar produtiva a ação entre disciplinas.

Na multidisciplinaridade se supõe profissionais com boa vontade para trabalhar temporariamente, ou em projetos pontuais, com outros profissionais de outras áreas.

Na interdisciplinaridade se supõe profissionais dispostos a trabalhar de maneira mais intensa e duradoura entre si, embora vindos de diferentes áreas de atuação.

Na transdiciplinaridade se supõe que profissionais, com formação interdisciplinar, trabalhem juntos em projetos permanentes ou longos.

Deve-se também destacar que disciplinas escolares e disciplinas do estudo científico não são necessariamente idênticas. Principalmente a primeira tem por função/meta difundir determinado conhecimento, enquanto a segunda estuda/produz este conhecimento. (ver mais aqui).
E aqui cabe também a distinção entre ‘hiper disciplinaridade’ e ‘hiper especialização’, que também tiveram seu começo no século XIX. Enquanto na ‘hiper disciplinaridade’ houve uma excessiva “divisão” do conhecimento, na ‘hiper especialização’ houve um excessivo mergulho nas “partes” sem que se retornasse ao todo.

A necessidade de atuação em rede e do uso consciente da complexidade[3] aumenta exponencialmente da ‘multi’ à ‘inter’, até ser imprescindível na ‘trans’.

E é também imprescindível uma atuação que contemple a contextualização de suas ações, e nisso a sustentabilidade[4] e seus pilares tem que ser observada. (para isso também é útil se observar os métodos de atuação na História da Ciência).

Esta classificação, e sua discussão, estão estreitamente relacionadas com a criação das disciplinas[5] no século XIX e com o fenômeno da especialização[6] (no mesmo século) e a retomada, no século XX, de uma abordagem do todo que não perdia de vista suas partes[7].


[1] Haveria interdependência, interação, comunicação entre ramos do conhecimento e as disciplinas.

[2] Envolve coordenação de todas disciplinas num sistema lógico

[3] Trata-se de uma visão interdisciplinar acerca dos sistemas complexos adaptativos, do comportamento emergente de muitos sistemas, da complexidade das redes, da teoria do caos, do comportamento dos sistemas distanciados do equilíbrio termodinâmico e das suas faculdades de auto-organização.

Esse termo, o conceito e sua aplicação tem tido uma série de consequências não só tecnológicas mas também filosóficas. O uso do termo ‘complexidade’ é, portanto, ainda instável e na literatura de divulgação frequentemente ocorrem usos espúrios, muito distantes do contexto científico, particularmente em abstrações ao conceito (crucial) de não-linearidade. O termo é também usado por alguns como sinônimo de epistemologia da complexidade, um ramo da filosofia da ciência inaugurado no início dos anos 1970 por Edgar Morin, Isabelle Stengers e Ilya Prigogine . (baseado em ‘Wikipedia, Complexidade’ –http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade )

[4] O conceito de atuação ecológica sendo usado de maneira adequada; sereconomicamente viável; ser socialmente adequado, de modo que contemple as características de cada povo e de sua região e deste modo ser culturalmente respeitoso.

[5] Relacionada às Universidades.

[6] Especialização X generalismo.

[7] Ao século XIX pertence uma grande discussão deste naipe que, na chamada ‘biologia’ (criada neste século) e na medicina se chamou de movimento vitalista, que discutia o todo e as partes no estudo e na concepção de ser vivo.

 

Site originalmente localizado aqui.

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